
O VBTP-MR Guarani (Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Médio sobre Rodas) representa o salto mais significativo na modernização da força terrestre brasileira desde a desativação do icônico EE-11 Urutu. Desenvolvido em parceria entre o Exército Brasileiro e a Iveco Defence Vehicles, o projeto não apenas renovou a infantaria mecanizada, mas reestruturou a base industrial de defesa nacional instalada em Sete Lagoas (MG).
Arquitetura e Mobilidade
Projetado sob a configuração 6×6, o blindado equilibra capacidade de carga útil com agilidade tática em terrenos variados:
- Propulsão: Equipado com motor diesel Iveco Cursor 9 de 383 cv acoplado a uma transmissão automática ZF de 6 marchas, o veículo atinge velocidades de até 110 km/h em estrada.
- Autonomia: O alcance operacional supera os 600 km, elemento crítico para cobrir a vasta extensão territorial das fronteiras brasileiras.
- Capacidade Anfíbia: Mantém navegação em rios calmos e lagos via hidrojatos traseiros a velocidades de cerca de 9 km/h, exigindo preparação mínima da tripulação.
Proteção e Sobrevivência
Diferente das gerações concebidas durante a Guerra Fria, o Guarani foi moldado pelas lições dos conflitos assimétricos contemporâneos:
- Casco em “V”: A geometria inferior foi desenhada especificamente para defletir ondas de choque causadas por minas terrestres e artefatos explosivos improvisados (IEDs).
- Blindagem Modular: O aço balístico de base oferece proteção contra munições perfurantes de fuzil (nível STANAG 4569), com suportes para apliques cerâmicos adicionais que elevam a resistência a calibres mais pesados.
- Interior Isolado: Os bancos dos ocupantes são fixados ao teto, não ao assoalho, dissipando a energia cinética de explosões subterrâneas e protegendo a integridade da coluna dos soldados.
O veículo integra o sistema C2 (Comando e Controle) digital do Exército, permitindo compartilhamento de alvos e coordenadas em tempo real entre diferentes viaturas na rede tática.
O projeto Guarani consolidou a transição da doutrina militar brasileira para plataformas modulares e conectadas, além de abrir portas para exportações estratégicas (como para Filipinas e Gana).